quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Psicanálise: Proposta da importância da escuta RAIMUNDA HENRIQUE RABELO DA SILVA Introdução.

 

Introdução.

Na Psicanálise, no entendimento do autor deve-se dá ênfase ao “Princípio da Escuta”. A psicanálise surge e se desenvolve na escuta e a partir da escuta singular à qual se propõe. Entendemos como relevante resgatar o desenvolvimento do processo de escuta como recurso da técnica psicanalítica e suas implicações na psicanálise como teoria. À medida que o campo psíquico pode ser equiparado a um sistema aberto, a escuta destaca-se como ponto fundamental no campo intersubjetivo, característico do encontro analítico.

Significado de Escutar.

Escutar significa ouvir com atenção, interpretando e assimilando os sons e ruídos que são captados pela audição. Quando alguém está escutando algo quer dizer que está consciente e atento ao que está ouvindo. Além disso, escutar é compreender e processar a informação que está a ser recebida. Etimologicamente, a palavra escutar se originou na língua portuguesa através do latim ausculto, que pode ser traduzido por "ouvir com atenção".

Diferença entre ouvir e escutar.

Ouvir é a ação de receber sons e ruídos através da audição, ou seja, tudo aquilo que o ouvido capta. Escutar, por outro lado, é o ato de prestar atenção naquilo que se ouve.

Escuta na Psicanálise.

Freud introduz na teoria psicanalítica o tempo da palavra como forma de acesso por parte do homem ao desconhecido em si mesmo e o tempo da escuta que ressalta a singularidade de sentidos da palavra enunciada. Ao produzir teorias, produções teóricas e em seu trabalho clínico, de palavras que desvelam e velam; que produzem primeiro descargas e depois associações. Palavras que evidenciam a existência de um outro-interno, mas que também proporcionam vias de contato com um outro-externo quando qualificado na sua escuta. “Esses tempos em Freud inauguram a singularidade de uma situação de comunicação entre paciente e analista. Um chega com palavras que demandam um desejo de ser compreendido em sua dor, o outro escuta as palavras por ver nestas as vias de acesso ao desconhecido que habita o paciente. A situação analítica é, por excelência, uma situação de comunicação: nela circulam demandas nem sempre lógicas ou de fácil decifra mento, mas as quais, em seu cerne, comunicam o desejo e a necessidade de serem escutadas”.(Mônica Medeiros Kother Macedo &; Carolina Neumann de Barros Falcão)

Será que existe limite para a prática da escuta?  A importância da escuta na psicanálise vai se evidenciando na medida em que percorremos os textos freudianos. As recomendações da técnica, assim como os desenvolvimentos teóricos, apontam sempre para a preocupação de Freud de que a psicanálise não perca o que a diferenciava das demais possibilidades terapêuticas: o valor dado ao autoconhecimento e à liberdade pessoal. O que visa ser escutado na psicanálise resulta em uma psicanálise da escuta. Os lapsos, os sonhos, as repetições, os sintomas; enfim, as formas de subjetividade – livres de uma classificação ou de rótulos – abrem espaços de singularidade. (RBEc)

A Psicanálise na escola, em particular no ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, passa pela sensibilidade da gestão, e um dos primeiros passos de um gestor que busca avançar nesse sentido é garantir que as pessoas tenham espaços de ser assistido por um psicanalista, e este, é fundamental tenha a visão da escuta. A escola tem o dever ético de propiciar um meio de escuta diferenciada no campo educacional, é o que passamos a definir como “escuta clínica”, uma expressão mais comum no vocabulário de psicólogos e psicanalistas. A escuta clínica não acontece necessariamente em um consultório e se materializa quando uma pessoa se coloca e o grupo acolhe essa fala. Se isso não acontece, a escuta não se materializa. Na nossa experiência é bom frisar que já nos foi oportunizado o momento de mediar processos pedagógicos, entendemos que a escuta é um denominador comum entre as áreas psicanalítica clínica e educacional. Em ambas as atividades, é preciso sustentar um campo de conversa que tem a ver com esse lugar da escuta que permite falas de experiências e pensamentos sem um objetivo dialético pedagógico ou moral”, observa.  Na escola, sob a óptica da psicanálise, saber ouvir o usuário, aluno, bem como professores e familiares   em relação aos seus reclames emocionais é fundamental para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. Ai se estabelece a prática de escuta ativa. Por meio dela, é possível entender melhor o que as pessoas realmente estão dizendo e desenvolver um relacionamento de qualidade com seus públicos interno e externo. De acordo com o perfil do usuário o psicanalista desenvolve a técnica de escuta ativa, avaliando no desenvolver do processo, na implementação, os benefícios que ela pode trazer para o sistema e o usuário, em particular. Em resumo podemos dizer que é fácil entender o que é escuta ativa. “Podemos definir o que é escuta ativa como uma maneira de tornar os diálogos mais eficientes. Com base na plena dedicação para ouvir e compreender o que o outro tem a dizer, a escuta ativa permite que o ouvinte absorva, de fato, o conteúdo da fala do interlocutor”. É por meio das técnicas de escuta ativa que se consegue interpretar e analisar o que o outro está dizendo e chegar a conclusões isentas de equívocos. Trata-se de uma prática em que o ouvinte não recebe as informações de forma passiva, mas sim demonstrando um interesse verdadeiro sobre o que está sendo dito pelo interlocutor a fim de estabelecer uma relação com ele. Dentro de uma sala de aula, ou no CENTRO DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, a escuta ativa pode ser aplicada em situações como SESSÃO ESCOLAR, onde o usuário do AEE sempre detém uma deficiência, física ou intelectual-cognitiva. Nas reuniões do Grupo Gestor, na reunião de equipe docente, etc., feedbacks, treinamentos, apresentação de propostas para gestão escolar. Neste momento a intenção da escuta é adquirir informações relevantes do ponto de vista do contexto em analise, para, então, chegar a soluções mais eficientes. Principais benefícios da escuta ativa para o aprendente, no AEE. Quando bem executada, a prática de escuta ativa pode trazer para o usuário uma série de benefícios que vão desde a melhoria no relacionamento com os públicos interno(família) e externo (escola, colegas, etc.) até a redução de conflitos causados por falhas na comunicação. Na prática podemos elencar para melhor entender o que é escuta ativa, os principais benefícios que essa prática pode oferecer:  a) Melhoria na relação entre pessoas; b) Maior clareza nos diálogos e redução de ruídos; c) Maior absorção de informações relevantes; d) Aumento da confiança entre ouvinte e interlocutor; e) Redução de falhas ocasionadas por falhas na comunicação; f) Maior geração de insights vindos de alunos, professores, famílias; g)        e colaboradores; h) Diminuição de conflitos internos; i) Melhor entendimento por parte dos colaboradores sobre o que, como e quando fazer; j) Desenvolvimento de empatia; l) Incentivo ao trabalho em equipe; m) Melhoria no clima organizacional; n) Otimização de processos.

Na escuta qualificada o psicanalista pode ajudar o seu cliente, ou paciente, seja na escola ou na Clínica Psicanalítica.

Recomendações para desenvolver a escuta ativa na atividade diária do psicanalista.

Recomendamos os critérios que seguem para desenvolver a escuta ativa na escola com AEE e na Clínica Psicanalítica. São, a priori 4 técnicas de escuta ativa para implementar, outras poderão ser desenvolvidas a contar com a experiência do profissional. 1. O Psicanalista deve fazer perguntas abertas - O objetivo da escuta ativa é justamente ouvir o que a pessoa que está do outro lado tem a dizer. Nesse sentido, uma maneira de estimular a pessoa exponha o seu ponto de vista em relação a um assunto específico é fazendo perguntas abertas. Dessa forma, o interlocutor poderá elaborar um raciocínio mais elaborado, que permitirá ter uma dimensão mais completa sobre as percepções que ele tem em relação ao tópico levantado. Estando diante de pessoa com deficiência cognitiva deve-se observar a capacidade de interagir. 2. Ao Psicanalista se recomenda que escute as respostas com bastante atenção - Nesta técnica, é feita a escuta ativa propriamente dita. Ou seja, aqui você deverá ouvir ativamente tudo o que a outra parte tem a dizer. Não basta apenas ficar em silêncio enquanto o interlocutor estiver falando. É preciso se esforçar para absorver o conteúdo da fala e assimilar o que está sendo dito. Para isso, deve o profissional evitar distrações, deve fazer anotações sobre os pontos mais importantes e atente-se a linguagem corporal, que também pode estar comunicando algo. A resposta do usuário deve ser avaliada como fonte de informação. 3. O Psicanalista deve confirmar tudo o que escutou - Para garantir o pleno entendimento de tudo o que foi dito pelo interlocutor, é preciso que confirme com ele tudo aquilo que você escutou. Faça perguntas fechadas, de “Sim” ou “Não”, a respeito dos pontos mais importantes que foram anotados. Sugere-se que elabore um resumo de tudo o que foi dito e refletido. Deve se pedir para que a outra parte dê a confirmação ou corrija qualquer erro de interpretação que o Psicanalista possa ter tido. 4. O Psicanalista deve dá um feedback para o interlocutor - Por fim, para que a sua escuta ativa seja bem sucedida, é essencial que você dê uma resposta para o seu interlocutor. Compartilhe com ele a sua visão sobre aquele assunto, levando sempre em consideração a perspectiva de quem está do outro lado da conversa.

Estruturando a escuta.

O ponto de partida para trabalhar com a escuta é entendê-la como um processo perene e criar condições para que ela ocorra de forma qualificada. Paula Chieffi(*) fala de um “estado de escuta” permanente, que não se traduz apenas em momentos pontuais ou localizados. Para colocar a escuta em um espaço estruturante, recomenda-se que o Psicanalista explicite essa intencionalidade e busque consensos entre seus diversos atores sobre o porquê dessa proposta. Paula pontua que são esperadas resistências por parte dos que não veem sentido na prática, em um primeiro momento. Nesse caso, sugere que os trabalhos sejam iniciados junto aos interessados, para que o ambiente possa sentir os efeitos aos poucos. Outro passo importante na prática psicanalítica é, para além do estado permanente de escuta, instaurar espaços com periodicidade fixa para que os participantes possam se habituar a acompanhar os debates e se apropriarem das pautas, análises, encaminhamentos e o tempo de execução de uma decisão. (*) Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2002). Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Subjetividade da PUC-SP (2009). Doutora em Educação pelo Programa de Filosofia e Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP, 2017)

Por fim, com suporte na reflexão de Paula Chieffi, o Psicanalista deve ter cautela e observar alguns cuidados que devem ser tomados. “Um deles diz respeito a interpretação errônea que muitas pessoas fazem do Psicanalista”. Este profissional não trata de “doido”, como dizem muitos alunos em escolas com AEE. O processo de escuta na visão de Paula, justificam algumas resistências. “As pessoas tem a falsa ideia de que escutar é se subjugar ao outro e que portanto as demandas apresentadas precisam ser atendidas, e isso não é verdade. O compromisso é com o acolhimento e encaminhamento das demandas”.

Psicanálise e Saúde Mental.

O psicanalista não tem autorização legislativa-normativa de prescrição medicamentosa, nem deve avançar nas áreas da psiquiatria e psicologia. Porém, não se vislumbra um psicanalista clínico sem formação acadêmica que possa dar-lhe condições de identificação no mínimo dos 8 (oito) principais tipos de Transtornos Mentais e sua prevalência. Pois, é na escuta que ele pode identificar a presença dos sintomas e encaminhar aos profissionais da psicologia e da psiquiatria. A psicanálise, por sua vez, esteve vinculada, no Brasil, à psiquiatria na primeira metade do século passado, e com seu suporte teórico privilegiou-se a relação com o louco. O afastamento entre a psicanálise e a psiquiatria se deu no momento em que a invenção de Freud deixou de ser entendida como uma técnica terapêutica da psiquiatria para constituir um novo tipo de abordagem da doença mental, com características distintas fato influenciado também pela criação, no País, de instituições psicanalíticas (Rocha, 1989).  Na saúde pública, a entrada da psicanálise ocorreu através do profissional psicólogo, fato ainda hoje comum, pois não existe nos quadros funcionais o cargo de psicanalista. Mas a psicanálise enfrenta desafios distintos, antes de tudo porque não pretende primariamente ampliar a qualidade de vida dos indivíduos, mas propiciar uma escuta diferenciada a quem está em sofrimento. E, em face dessa discordância, tampouco objetiva repensar sua base conceitual, mas, ao contrário, fortalecê-la para intervir de maneira adequada, advertida, interessada. A presença da psicanálise no ambulatório público de certa maneira foi prevista por Freud em Linhas de Progresso na Terapia Psicanalítica (1919/1974), ao sustentar que, em algum momento, a sociedade despertaria para a necessidade de oferecer a escuta analítica a toda a população, não importando a classe social. Ele próprio cogitou de criar instituições gratuitas compostas por analistas visando aos pacientes sem condições de bancá-los na clínica privada.

A partir da reforma sanitária, na década de 1970, e da criação do Sistema Único de Saúde - SUS, em 1988, os serviços ambulatoriais foram fortalecidos no Brasil. Constituídos por equipes interdisciplinares, a presença do psicanalista é neles cada vez mais comum. Entretanto, ainda que diversas áreas científicas se façam presentes nas equipes ambulatoriais, a hegemonia médica é indiscutível, o que muitas vezes culmina em dificuldades para a prática do psicanalista. Com isso, a viabilidade da clínica psicanalítica nos ambulatórios brasileiros é constantemente questionada e ameaçada, pois são inúmeras as divergências entre as demandas institucionais e o trabalho analítico. Porém, a cada dia que avança encontramos a importância do Psicanalista na Escola, pública ou privada. Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo central a propalação da “escuta” e ao psicanalista dentro deste contexto pode contribuir para reduzir os impasses que ocorrem entre a psicanálise e as equipes diversas em particular no âmbito dos ambulatórios médicos. Trata-se, a discussão da “escuta” de um trabalho teórico, cujas fontes foram as produções bibliográficas a respeito do tema. Como conclusão, destaca-se que, apesar dos entraves e constantes desafios aos quais é submetida, a prática psicanalítica é plenamente viável e efetiva a sua presença nas escolas e nos ambulatórios públicos brasileiros, e fortalecendo a “escuta” como referência de assistência ao usuário.

Distintamente das inúmeras abordagens psicoterápicas, o trabalho analítico não tem como foco os efeitos terapêuticos. Estes são inegáveis e geralmente não tardam a aparecer, mas de maneira alguma é (primariamente, como já afirmado) o objetivo do tratamento analítico, isso porque a psicanálise não visa a normalizar o sujeito ou a adequá-lo à realidade, por entender que essa seria uma tarefa impossível.  A psicoterapia explora e exalta a dimensão imperativa do significante; já a psicanálise visa a reduzi-la. Em outras palavras, a psicoterapia reproduz o discurso do mestre, o discurso em que há um representante do saber e os médicos e muitos outros profissionais tendem a ocupar esse lugar, definindo o melhor caminho para o paciente, por sua vez colocado no lugar de desconhecimento (Coutinho Jorge, 2006). O analista se recusa a fazer esse jogo. O S1 (significante-mestre) que o analista quer sustentar é o do sintoma do sujeito, e não o significante-mestre da civilização. Com isso, ele pode formular as condições de uma psicanálise aplicada à terapêutica uma possibilidade viável de adequação à demanda institucional que não se relacione em nada com a psicoterapia (Laurent citado por Stevens, 2007). Uma instituição é orientada por um significante-mestre da civilização: no caso do ambulatório, o saber médico; logo, uma vez dentro desse conjunto, o psicanalista não deve se impor, se opor ou se colocar a serviço do mestre, mas sim, furar os S1 da instituição (Stevens, 2007; Rita Meurer Victor - Centro Universitário de Várzea Grande; Fernando Aguiar, Santa Catarina, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil).

Por finalização dialética, observe que o universo de saúde mental é muito amplo, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), existem mais de 300 Transtornos Mentais catalogados. Cada vez mais as pessoas têm buscado ajuda profissional e o que pode ter aumentado os saberes sobre os Transtornos Mentais assim como a mensuração de suas prevalências. Podemos citar, exemplos de Transtornos Mentais mais comuns no Brasil e sua prevalência por percentual populacional.

Transtornos Mentais e suas Prevalências.

TABELA 1

Principais Transtornos Psiquiátricos

Prevalências

1 – Ansiedade

9,3% da população brasileira

2 – Depressão

5,8% da população brasileira

3 – Transtornos Alimentares

4,7% dos brasileiros – chegando a 10% na adolescência 

4 – Transtorno Bipolar

4% da população brasileira

5 – Transtorno obsessivo-compulsivo

2% da população brasileira

6 – Esquizofrenia

2 milhões de brasileiros – 1%

7 – Estresse pós-traumático

1% a 3% da população brasileira

8 – Transtorno de personalidade Borderline

6% da população mundial

 

 

O Transtorno Mental. Como identificar um Transtorno Mental.

Os transtornos mentais geralmente são caracterizados por uma combinação de emoções, comportamentos, percepções e pensamentos que podem afetar a vida de uma pessoa. Para identificar um Transtorno Mental é importante ficar atento ao comportamento do indivíduo, que pode apresentar sinais como: 1) Mudanças de humor repentinas; 2) Mudanças no comportamento; 3) Dificuldade em se concentrar; 4) Dificuldade em raciocinar; 5) Problemas em expressar ideias; 6) Dificuldade em conviver com outras pessoas. Entre outros.  O ideal é que o Psicanalista ao observar em seu assistido, ou cliente, paciente, a presença desses sinais, oriente, o encaminhe o indivíduo na busca de ajuda profissional para um diagnóstico preciso, de preferência um Médico Psiquiatra e um Psicólogo. Eles juntos, de acordo com uma minuciosa avaliação, poderão dar o diagnóstico e prognóstico.

O que pode causar um Transtorno Mental?  Não é possível definir uma só causa para esse tipo de distúrbio. Há várias situações que podem acabar desencadeando algum distúrbio mental, como: a) Fatores Psicossociais: situações de estresse; vida familiar; ambiente escolar e outros; b) Genéticos: ligados aos transtornos mentais relacionados ao histórico familiar do indivíduo; c) Ambientais: relacionados a problemas enfrentados na comunidade (violência urbana) e tipos de possíveis abusos (físico, psicológico e sexual); d) Biológicos: situações de anormalidades do sistema nervoso central. O fato é que, independentemente das causas que desencadearam algum tipo de distúrbio, é importante ressaltar o quanto esses problemas podem afetar a qualidade de vida e bem-estar das pessoas. Daí a importância de um diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Os Transtornos Mentais mais comuns no Brasil.

Na escola com AEE a prática oferece situações emocionais das mais complexas. Entre elas observamos: 1) Ansiedade; 2) Depressão; 3) Transtornos Alimentares; 4) Transtorno Bipolar; 5) Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC); 6) Esquizofrenia; 7) Estresse pós-traumático; e 8) Transtorno de personalidade Borderline.

No âmbito das escolas brasileiras se observa os Transtornos Mentais mais comuns: I – Ansiedade é caracterizada pela sensação de desconforto, tensão, medo ou mau pressentimento que são provocados pela antecipação de perigo ou algo desconhecido. Pode afetar a vida social e emocional do indivíduo e provocar sintomas como: tremores, falta de ar, palpitações, sensação de sufocamento, suor frio e etc.  De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 9,3% da população brasileira possui um quadro de ansiedade. O que nos torna um dos países mais ansiosos do mundo; II) Depressão é um transtorno psicológico que causa tristeza persistente e impede a realização das tarefas diárias; é definida por ser um estado de humor deprimido que pode persistir por muito tempo. É também acompanhada por sintomas como: apatia, insônia, irritabilidade, falta de energia, ganho ou perda de peso e etc. Segundo a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira possui o quadro de depressão; III) Transtornos Alimentares -  Anorexia Nervosa e Bulimia são alguns dos transtornos alimentares mais comuns. A anorexia é caracterizada pela perda de peso intencional, provocada pela recusa de alimentação, distorção da própria imagem e medo de engordar. A bulimia consiste em comer grandes quantidades de comida e logo depois eliminar as calorias de formas prejudiciais para o corpo. Esse tipo de transtorno é muito comum na fase adolescente, e afeta cerca de 4,7% dos brasileiros; IV) Transtorno Bipolar provoca grandes mudanças de humor, dificuldades na comunicação e socialização. Pode oscilar em estados de depressão para impulsividades e excesso de extroversão.  Esse transtorno chega a atingir 4% da população brasileira; V) Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos recorrentes e desagradáveis (obsessões) e comportamentos repetitivos ritualizados (compulsões), voltados para a redução do desconforto associado a tais pensamentos. Pessoas que possuem TOC, podem ter obsessões por lavar as mãos, limpeza, necessidade de simetria e etc.  De acordo com estudos, cerca de 3 a 4 milhões de brasileiros (2% da população) apresentam esse quadro; VI) Esquizofrenia é um transtorno psicótico que provoca distúrbios no pensamento, percepção, vontade, atividades sociais e linguagem das pessoas. A esquizofrenia é caracterizada por pensamentos ou experiências que parecem não ter contato com a realidade, fala ou comportamento desorganizado e participação reduzida nas atividades cotidianas; VII) Estresse pós-traumático é marcado pela ansiedade que surge após uma situação traumática. A pessoa afetada revive persistentemente o ocorrido com recordações, e apresenta grande sofrimento psicológico. A prevalência de brasileiros afetados pelo Transtorno de Estresse pós-traumático chega de 1% a 3% da população; VIII) Transtorno de personalidade Borderline é caracterizado por um padrão de emoções instáveis nos relacionamentos e comportamento em geral. A pessoa com Borderline pode ir de uma imensa euforia a um sentimento intenso de raiva, depressão ou ansiedade. Cerca de 6% da população mundial possui esse transtorno.

A Psicanálise como coadjuvante na psicoterapia.

Aplicando a Psicanalise na escola com AEE, podemos observar e seguir o raciocínio de Andre Luis Cuani(**) podemos asseverar que o Poder da Escuta pode em muito ajudar aos usuários do SISTEMA com uma das características de algum dos Transtornos referenciados nos parágrafos anteriores. O Psicanalista durante a escuta ou e a Psicoterapia pode auxiliar na identificação e encaminhamento para o tratamento de um possível Transtorno, assim como poderá levantar subsídios e informações relevantes para enviar ao médico, caso necessite de uma avaliação psiquiátrica.  Na escuta o psicanalista pode em muito ajudar a entender os sentimentos e emoções do outro que se propõe a falar. O Psicanalista deve a nosso ver, fortalecer o processo de conversar sobre a presença de eventuais transtornos, ansiedade, autoconhecimento, depressão e habilidades sociais. Andre Luis Cuani(**) Psicólogo com experiência em Gestão de Pessoas e Atendimento Clínico, Formado em Administração/Processos Gerenciais pela UNINTER e em Psicologia pela INESUL, é Especialista em Gestão de Pessoas e em Terapia Cognitiva Comportamental. Profissional/psicólogo do Zenklub. CRP: 08/29800.

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